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Um olhar...e um profundo oceano de sentimentos
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Textos

Emergiram quinze na noite de ontem,

sem rosto, sem nome, sem direito algum.

Itacaiunas ia em murmúrio afiado,

gritando a alvorada e contando mais um.

A terra faz pó quem nela semeia,

como a terra seca que em pó se faz,

pra que não esqueça quem lhe bota as cercas

que ela guarda as almas de quem nela jaz.

Emergiram vinte —”Bate a foto, moço!

Amanhã tem outros, mas ninguém mais viu.

Ao redor da cerca a morte está à espreita,

só não tomba nela quem, daqui, fugiu.”

Tudo aqui tem preço quando a bala aponta,

quem não vende terra compra seu caixão.

Coronel, no Norte é pé de apuizeiro:

no “abraço” grileiro “vampiriza” o chão.

Nas trilhas vermelhas e negras da história

a Amazônia tomba em triste pastiçal.

Sobe a fumaça, cerca traga a vida

e a roça do pobre vira pasto e sal.

Já boiaram trinta, tem até criança!

pedra no pescoço e amarra na mão.

Jacaré tropeça em quem veio de fora

pra pegar o fruto sem ter plantação.

Quem manda na lei se esconde nas sombras,

no poder do Agro, banca ruralista,

mas o ferro, fogo e bala de jagunço

marcam a memória do povo nortista.

Belém - 2019

Gaby Faval
Enviado por Gaby Faval em 03/07/2026
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