Pó de estrada,…caminhão que passa
poeira vermelha, fumaça a cobrir
a mão da criança na ardência do forno
(brinquedo é quadrado e não deixa sorrir).
— “Cuidado com o dedo no forno, menino!
Tijolo não entende de infância, não.
Cadê teu brinquedo?” — virou barro e molde
que enterra teu sonho no amassar do chão.
Brinca, criança, de fazer parede,
finge que é tua a casa que vem.
Põe carvão na brasa que tempo é o dinheiro
que teus dedos geram, mas você não tem.
Por trás da poeira o sol avermelha
cuidado com os dedos na chama a queimar.
Quem te cuida agora, que tua infância arde?
Que some nas chamas teu doce brincar?
Nos teus olhos tristes gira a olaria,
fumaça, poeira, argila e carvão.
Na beira da estrada teu silêncio ecoa
e morre nas chamas teu futuro em vão.
Belém - 2022