O menino viu a fome de comida, de aprendizados,
viu trabalhador sem nome no mundo do voto letrado.
No tijolo da escola o nome não havia entrado,
pois, tinha sobrenome de terra, de pá, de foice e terçado.
No direito ele aprendeu que pensar é necessário
pra construir a pergunta que liberta o operário.
E de giz fez sua toga, e fez do quadro um arado,
e de sua indignação fez o livro mais sagrado.
Mas o saber do oprimido gera medo no abastado
que alicerça seu poder na opressão do silenciado.
E o menino, agora longe, semeando igualdade,
transforma sua nostalgia numa ação de liberdade.
Em sua leitura de mundo, dialogada e refletida,
fez do medo a ousadia de sonhar na Escola Vida
À sombra de uma mangueira, o menino sonhador
mostrou o que é ser oprimido e o que é ser educador.
E no campo e na cidade, o menino semeador
foi gerando autonomia, criticidade e amor.
De Angicos a Guiné-Bissau caminhou Freire-criança
comunicando em suas cartas as sementes de mudança,
nascidas de sonhos possíveis e geradoras de esperança.
2021 - Belém