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Um olhar...e um profundo oceano de sentimentos
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O menino viu a fome de comida, de aprendizados,

viu trabalhador sem nome no mundo do voto letrado.

No tijolo da escola o nome não havia entrado,

pois, tinha sobrenome de terra, de pá, de foice e terçado.

No direito ele aprendeu que pensar é necessário

pra construir a pergunta que liberta o operário.

E de giz fez sua toga, e fez do quadro um arado,

e de sua indignação fez o livro mais sagrado.

Mas o saber do oprimido gera medo no abastado

que alicerça seu poder na opressão do silenciado.

E o menino, agora longe, semeando igualdade,

transforma sua nostalgia numa ação de liberdade.

Em sua leitura de mundo, dialogada e refletida,

fez do medo a ousadia de sonhar na Escola Vida

À sombra de uma mangueira, o menino sonhador

mostrou o que é ser oprimido e o que é ser educador.

E no campo e na cidade, o menino semeador

foi gerando autonomia, criticidade e amor.

De Angicos a Guiné-Bissau caminhou Freire-criança

comunicando em suas cartas as sementes de mudança,

nascidas de sonhos possíveis e geradoras de esperança.

2021 - Belém

Gaby Faval
Enviado por Gaby Faval em 03/07/2026
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